sexta-feira, 22 de julho de 2016

Parte 2

Ele ajeita a gravata do terno como quem deseja colocar a vida no lugar. Vestido para derrubar qualquer opinião equivocada a seu respeito e pronto para impor as regras que os outros deverão seguir. O sorriso doce e gentil que ele trazia nos lábios era certeiro e seguro, mas também um disfarce para que ninguém percebesse o quão confuso ele estava e o quanto ele esperava pela primeira oportunidade para fugir dali. Era belo como um anjo, terno como um príncipe saído das mais encantadas histórias, sempre sabia o que dizer para quem quer que fosse, mas era um desastre em organizar suas próprias emoções. Sentia-se perdido em um mundo em que ele não pertencia. Seus valores e tudo o que ele conhecia eram frutos do modo como ele observava o mundo e não como as coisas realmente eram. Ele era bom quando deveria ser mau. Cruel quando deveria ser compreensivo. Estava sempre inadequado para qualquer situação, mas ele sabia que a hora certa chegaria, que um dia ele entenderia o porquê de tudo aquilo, que um dia ele se encontraria e encontraria quem o encontrasse, ele finalmente estaria completo, ele seria feliz.

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